Busca

Nos cantos cortantes, latentes, chorosos,

deixei-me ficar.

Esquecida das dores, dos males, dos sonhos,

das mãos estendidas, dos sopros, do ar.

Das lembranças paradas, perdidas, sofridas,

sentidas, nenhuma das falas repetem

os estrondos das lágrimas vertidas

em busca dos caminhos a atravessar.

O que hoje procuro é a paz derradeira,

da vida brilhando a apaziguar,

o passado distante, apagado, esquecido,

de paisagens escuras, sem sol, nem luar.

E me entrego ao destino de braços abertos,

estendo os olhos a procurar:

o brilho antigo, singelo e perfeito

de um mundo distante, claro, sem pecados

ou culpas a me atormentar.

Esqueço pessoas.

Fantasmas, não os temo, pois deixo-os no ar.

Passado distante tão cheio de dores,

que hoje, eu busco apagar.

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