Alexandre Octaviano

O Tempo da Poda

De tempos em tempos o homem deveria parar para podar
seus galhos mais velhos, para se fortalecer, assim como as
flores, mas sem ferir seu tronco, tudo como deve ser feito,
pois a base sólida deve sempre permanecer intacta, forte e
mantendo a estrutura do ser.
De nada resta a nós, seres humanos, se não ao habito de
nos adaptar ao nosso meio. Relevando que sempre estamos
ligados com a confecção desse meio que vivemos. Quando o
mundo nos parece um ser exótico, criamos regras e conceitos,
porém para depois discutir essas criações e tentar mudar nossos
mesmos atos, assim, como já disseram, estamos sempre vivendo
"como nossos pais" ou, seria melhor dizer, como a
maioria vive e já viveu.
Já a vaca, que de louca não tem nada, fica apenas
ruminando a erva. E assim nós também ruminamos pontos
de vista e regras que a muito tempo foram podados e aos
poucos foram brotando, renascendo em novos galhos e folhas,
e como "bípedes ruminantes" acabamos vivendo os mesmos
conflitos, ou será que ainda acreditamos que a "vaca louca" é a
culpada pela crise que estamos vivendo? Ou ainda que a
globalização está ai para mostrar que todo mundo é igual?
Vivemos ai, cercados de momentos históricos reprisando na
luz de nossos olhos e acabamos vendo tudo como sendo o
novo da Era de Aquários.
Quem dera o homem vivesse sua vida podando apenas o
mal e reforçando o bem, mas de utopia já viveu a história, e
olha que nem a Carochia era tão utópica assim. Resta então,
apenas acreditar que o valor do homem está não só nos seus
atos, mas também no seus limites, pois assim, limitados, outros
também podem fazer coisa sem serem podados.


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