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Armando Sousa
Modernidade
Para que pareça-mos modernos quantas vezes nos tornamos
trapos da civilização; devoramos os desejos de socializar e
vencer a solidão que tantas vezes chamamos saudades;
procuramos dar raízes a tradições de onde fugimos; procura-mos
encontrar e comer o que tantas vezes odiamos no passado; o
caldo de couves que hoje lhe chamamos caldo verde, era o
mesmo mas sem chouriça
e pouca batata; o pão de milho; farinha moída num tosco moinho
tocado pelo regueiro de água que tantas vezes lavou a roupa
úmida e cheirosa do suor originado pelo trabalho com a enxada
ou o machado; ou ainda da caminhada, voltando ao aconchego
da cozinha de terra e ao brasido entre as panelas de três pernas.
Amor á família vizinhos e amigos deveria ser o nosso sucesso; é com
eles que matamos a solidão ânsia de socializar; mas quantas vezes
está metida em nós a inveja dissimulada em palavrinhas mansas;
trapo humano; civilização podre ou selvagem;> será que cada um de
nós pensará ficar neste planeta sozinho comprando e vendendo?.....
> fizemos-nos farrapos da nossa condição social, esqueceras-nos
de amar o próximo; fechando-nos sem comunicação natural, olhando
a televisão, vendo os misseis voarem destruindo o duro trabalho do
homem e a beleza da natureza; esquecemos nos que o sangue do
branco é igual ao do preto, do amarelo ou mulato, todos sangramos
vermelho; . esqecemos-nos que deveríamos procurar viver com alegria
todos os momentos da nossa passagem por este planeta, procurando
conservar tudo que encontramos nas melhores condições possíveis
para nossos filhos e netos; ou será que nos esquecemos do amor á
família, será que o egoísmo de nos salientar é mais poderoso que a razão?...
tantas vezes procuramos a sardinha assada e a caneca barrenta á
procura de um sabor do passado, as consertinas maneadas por mãos
haveis dos tocadores deixam sair som que nos enchem de alegria;
> as nossas bocas abrem-se deixando por vezes sair em vós abafada o
que seria bem mais salutar deixada sair sem entraves como o fizemos
tantas vezes nos campos que viram a nossa infância e juventude.....
para quê um dia de trabalho de quinze horas se estamos cavando o
nosso abismo; para ir matar a solidão em nome da saudade; ou
mostrar que vencemos o caminho de uma vida melhor!....
>a nossa comunidade Torontina de Lusofonia deve ser a mais diversificada
na face da terra (creio eu) poderíamos transmitir os conhecimentos que
temos sobre o planeta na nossa língua; poderíamos mesmo fazer uma troca
de visitas que seriam salutares para o corpo e alma.....
qual o nosso problema para o não fazer?.... egoísmo?.... ignorância?...
poucas possibilidades?...
medo das diferenças de opinião?.... o querer é poder; um pouco de boa
vontade e ultrapassaremos todos os problemas . >existem nesta
comunidade inteligências e determinações
que muita falta nos fazem para guias, não para tiranos; os políticos fazem
falta para governar, não para andar de jantar em jantar; jornalistas para
informar, não para maquinas de lavar roupa suja; é interessante ver o que
vai e o que sai do pensamento de cada um; precisamos de jornais com uma
pagina para novos talentos; não á censura, mas será preciso pensar para
não ser censurado; > a alma poeta do povo luso é enorme; todos nós temos
conhecimento de qualquer coisa diferente; ficaremos mais ricos quando
soubermos o que todos juntos sabemos, e com a ajuda de deus deixaremos
de ser trapos humanos
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