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Como profissional da área da educação, desempenhei, nos últimos dez anos, funções administrativas, como direção, vice-direção e supervisão escolar, mas não me passaram despercebidos os avanços, as necessidades e as dificuldades de todos os meus pares e do processo educacional. Considero o aperfeiçoamento de importância vital para o sucesso de qualquer empreitada, em todos os níveis e abrangência. É necessário que todo profissional busque atualizar-se, sob todas as formas, seja por meio de leituras, de cursos e debates. Sua formação tem de ter permanente continuação. Enfim, tudo o que me foi possível acessar eu o fiz, para tanto.
Durante o exercício da minha função como supervisora escolar, foram gratificantes as ações concretizadas pelos profissionais que aceitaram os desafios de se transformar a escola em um espaço de vida, um espaço de prazer para todos os envolvidos no processo educacional, especialmente para os educandos. Mas observei que as dificuldades de comunicação, entre os profissionais do magistério, são muitas e frustrantes, pois são colocados obstáculos, por conta de conceitos elaborados historicamente e que dificultam um trabalho de qualidade.
Os professores entendem a supervisão escolar apenas no sentido de fiscalizar. Dessa forma, as propostas, mesmo encaminhadas a partir de diálogos e decisões coletivas, foram entendidas por um considerável número de professores como uma ordem a ser cumprida e não como uma possibilidade de avanço no processo. Penso que, além dos preconceitos, a dificuldade de se fazer entender, própria do ser humano, foi um dos fatores predominantes que os impediram de pensar com clareza sobre o que estava sendo colocado. Frustrante foi ouvir, seguidamente, expressões como: “É fácil falar, mandar; quero ver fazer”.
Mesmo diante desse quadro, decidi provar que é possível mudar práticas pedagógicas em benefício do processo. Assim, no ano de 2004, após um longo período apenas nas funções de gestão e de supervisão de escola, assumi, paralelamente, uma regência de classe, por vinte horas semanais, como professora de escola pública do ensino fundamental, e, em outras vinte horas, mantive a função de supervisão escolar, como canal de viabilização de propostas.
Essa minha decisão teve o objetivo de provar que é possível implantar as novas propostas e superar as dificuldades, para a implementação desse processo educacional que vem atender às transformações da sociedade, que exige, dos educandos e dos educadores, novas posturas e novas competências, a fim de não serem excluídos desse meio. Minha decisão serviu, também, para mostrar, aos que atuam no processo-aprendizagem, que é possível perceber as dificuldades e as possibilidades que um professor encontra, no desempenho da função primordial da escola que é ensinar.
Ao estudar teóricos da área da educação, percebi a urgente necessidade de transformar metodologias, com a intenção de dar significado ao conhecimento, relacioná-lo com as vivências de todos os envolvidos no processo educacional. Isso não significa eliminar conteúdos, muito pelo contrário, eles devem estar presentes, ou não há relação. Por uma questão de lógica, optei por defender uma prática pedagógica baseada na humanização do conhecimento, uma vez que o planeta clama por justiça e paz.
Para viabilizar essa prática, defendi a proposta de trabalhar por projetos, que é a arte de relacionar conhecimento e vivência. Tenho consciência de que esse tipo de trabalho não pretende salvar a educação nem garantir sucesso na aprendizagem, mas que vem para facilitar um espaço de desafios e que oferece, às crianças e aos jovens, a oportunidade de desenvolverem suas capacidades e de conquistarem autonomia social e intelectual, tendo como eixo fundamental, a ética.
Desenvolver a capacidade de conquistar autonomia pressupõe uma escola que não ensina somente a ler e a calcular, é preciso, fundamentalmente, ensinar a PENSAR. Pensar, para decidir; humanizar, para que as decisões tenham como base os princípios da justiça, da solidariedade e da sustentabilidade.
Vive-se um tempo em que as transformações são de momento, o conhecimento tem prazo de validade e cada vez mais curto. A era é de globalização que, se concebida no seu significado posto na sociedade, hoje, privilegia grupos. Há de se ter um conceito de globalização, mas sob a ótica humanística, ou seja, TODOS são responsáveis pela sobrevivência do planeta e pela saudável qualidade de vida de todos. E o grande desafio da escola é este: possibilitar a passagem da era material (capitalismo) para a era das relações (humanização).
Para que essa concepção de vida se estabeleça, a conscientização para a cidadania é fundamental, pois o princípio geral do Direito é viver honestamente, não lesar ninguém e dar, a cada um, o que é seu. Longe disso está a sociedade e, com ela, a escola, que deveria, obrigatoriamente, implementar uma série de projetos que, até o momento, estão esquecidos no fundo das gavetas. É o caso do Projeto Político-Pedagógico, elaborado todo início de ano letivo por todos os segmentos da comunidade escolar e que diz “que aluno queremos”. Se esse projeto já tivesse saído da gaveta, a escola não estaria na situação de precariedade e descrédito que está.
É uma grande distância, e paradoxal, a que existe entre a documentação legal de uma escola e a sua prática. Como, por exemplo, uma escola persegue o “vencer os conteúdos” e faz uma avaliação tradicional, priorizando provas e notas, mas tem um Projeto Político-Pedagógico que diz de seus princípios, a saber:
* Estéticos: estética de sensibilidade;
* Políticos: política da igualdade.
* Éticos: ética da identidade.
* Pedagógico: diversidade, autonomia, interdisciplinaridade,
contextualização.
Acreditando nas possibilidades da efetivação desses princípios somados aos princípios do Direito, desencadeei minha prática pedagógica, com base na arte, na motricidade e na cidadania.
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