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Acredito que a prática pedagógica deva ser baseada em projetos, pois é um caminho possível para significar o conhecimento com a possibilidade de agregar, a esse significado, o desenvolvimento de uma postura ética, solidária, humana. Não é uma metodologia melhor nem pior do que as outras, mas apenas diferente; é a que acredito facilitar a aprendizagem, ao mesmo tempo em que faz, da escola, um espaço de prazer e de vida.
Limitar-me-ei a relatar o meu trabalho, até porque é uma experiência provocada por mim, para saber se a escola, que penso como ideal, é possível: a escola prazerosa, de qualidade e pública!
Trabalho com alunos da quarta série do ensino fundamental, em uma escola pública do Rio Grande do Sul, que não tiveram dificuldades em fazer, por exemplo, uma analise crítica e uma releitura do livro de Gilberto Dimenstein, O cidadão de papel, direcionando o trabalho sob perspectiva da inter e da transdisciplinaridade, facilitada pela unidocência.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN - serviram de base, especialmente com os temas transversais, uma vez que eu concebo a transdisciplinaridade como sendo a relação dos conteúdos com a realidade das crianças. Nessa mesma escola, desempenhei, concomitantemente à regência de classe, a função de Supervisora Escolar, dando, a essa função, um viés pedagógico (coordenação pedagógica, usando o termo mais em voga). Durante esse período, vivenciei a dificuldade de implementar um Projeto Político-Pedagógico, enquanto grupo, enquanto escola. Mesmo que, em todo início de ano, os professores e a equipe gestora tomem conhecimento desse projeto e proponham mudanças, vi que o diálogo se fez tímido e evoluiu em ritmo lento. Além do tempo de três anos, para conseguir superar as práticas pedagógicas convencionais – livro didático, conteúdos, provas, notas – foi necessário eu partir para uma atuação própria, a fim de viabilizar as possibilidades e sanar as dificuldades de práticas pedagógicas mais ousadas, como é a dos projetos, e de promover a sensibilização para a possibilidade da mudança: mudar a escola chata para escola prazerosa.
Por considerar o Projeto Político-Pedagógico de uma escola o norte da ação escolar (pedagógica, diretiva, institucional) e por perseguir o ideal de ver implementadas práticas pedagógicas que ousam o diferente, para melhorar a escola, ao permanecer na função de supervisão e assumir a regência de uma turma de alunos, das séries iniciais do ensino fundamental, em 2004, apresentei a proposta de um projeto-piloto para a escola em que eu atuava. Esse projeto devia ser estendido a todas as séries, dando autonomia para cada professor desencadear sua ação pedagógica, a partir dele, com a profundidade de cada série e oportunizando ramificações e/ou reentrâncias.
Assim, desencadeou-se o projeto Cidadão, hoje e sempre, para o ano de 2004. O nome, a criação e a identificação de mascotes, a elaboração de normas de convivência, para o ano de 2004, e outras ações, em nível de escola, tudo foi definido com a participação das crianças, dos professores, da direção, dos funcionários e dos pais.
Para o ano de 2005, o tema foi Natureza e paz, projeto resultante do sucesso do primeiro, Cidadão, hoje e sempre. O tema, porém, foi sugerido pelos professores, e essa ação justifica-se pela timidez dos mesmos, em se aventurarem em uma prática pedagógica inovadora. Timidez compreensível, normal em um grupo que, pela primeira vez, se propõe a inovações. Ficou estabelecido que, no final do ano de 2004, os alunos deixariam sugestões para o tema do projeto de 2005, uma vez que professores e alunos teriam vivência dessa prática. E assim foi. O tema de 2005 foi sugerido por alunos.
Uma das atividades bastante significativas dos projetos, tanto de 2004 quanto de 2005, foi a criação de mascotes que, pelo interesse das crianças, transformaram-se em instrumentos lúdicos de aprendizagem, desencadeando, a partir deles, a construção de textos e a provocação para trabalhar conteúdos e situações-problema da área da matemática.
Perdi o olhar da função de supervisão, percebi que a trajetória de cada professor é específica, sendo que uns desenvolvem o projeto com mais ousadia, outros com mais timidez.
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